Memórias de Natal

 

                            

Bom dia botões, quero compartilhar com vocês uns pensamentos que andam freneticamente dentro de mim.  Como desperdiçamos momentos e vivencias por não valorizar, investir nossas energias, vontade e dinheiro no que realmente traz felicidade!

Quando criança o dia de armar a árvore de natal sempre era motivo de alegria e comemoração, não me lembro de ter passado um ano na casa de meus pais sem que fizéssemos isso. A primeira árvore que tenho recordação era verde metálica, cada galho tinha na ponta uma flor verde com o miolo prata metálico, na parte de cima onde colocava uma estrela parecia uma mamãe sacode, daquelas que usamos em torcida de gincanas e esportivas, as bolas eram de diversas cores e precisava de muito cuidado para manusear, pois quebravam com facilidade.

 Lembro que tivemos árvores de vários modelos, até uma de galho seco e revestida de algodão, cheia de bolas coloridas e cartões desejando feliz natal e um prospero ano novo. Ahhh... quase esqueci do papai Noel de chocolate que ficávamos vigiando até o dia do Natal para ninguém comer. Quantas lembranças maravilhosas, meu coração sorriu, bem largo, de felicidade por ter tido a oportunidade de ser feliz.

Minha mãe carregava em si uma sabedoria de Deus, que fazia de nossa vivencia diária a alegria de celebrar a vida. Recordo que na nossa igreja tinha uma arvore de natal lindíssima, mas um dia em uma dessas ondas fanáticas, dogmática e religiosas, baniram a árvore da igreja, por considerar que era um costume pagão, povos antigos faziam em devoção ao rei sol, a instrução era para que os crentes também adotassem a abolição deste costumes em seus lares. Na nossa casa a árvore nunca foi expurgada, pois como minha mãe sempre falava: Tudo que tenho em minha casa é para gloria do Senhor e a Arvore do Natal era para celebrar o nascimento do Senhor Jesus.

Fico aqui pensando botões, como a felicidade está em coisas tão pequenas e simbólicas que marcam nossa memória!  Ninguém lembra do queijo, do vinho,  da comida cara que foi comida ou da roupa e sapato da moda que foram usados... o tempo passa e o que fica na lembrança é o momento feliz que aqueceu o nosso coração com a doçura e a felicidade de viver o tempo hoje.

Quando me casei acabei deixando este hábito familiar, até porque o meu primeiro ano de casado foi o ano que minha mãe morreu e a data de final do ano, por um tempo, ficou sendo nostálgica e sem tanta euforia. Nunca deixamos de celebrar o natal, mas sem tantos detalhes, acredito que fez parte do nosso luto por um tempo. Com o nascimento de Raquel e Clara, minhas filhas, a vontade de arrumar a casa para celebrar o natal retornou, mas todo ano olhava as arvores, fazia planos de comprar, nunca comprava com a desculpa de ser um gasto desnecessário e acabava priorizando outras coisas. Afinal de contas a celebração de Natal sempre acontece na casa de meu pai e o ritual de montar a arvore continua, acontece nas véspera com todos os netos.

Com a chegada de Gabriela, minha filha mais nova, a vontade de comprar uma árvore ganhou força, no ano passado resistir e não comprei, mas determinei que em 2020 traria para minha casa a celebração de montar uma árvore para comemorar o nascimento do Salvador.

E iniciamos as comemorações montando a árvore, fazendo os laços, colocando as luzes e adereços, percurso de muita euforias, palpites, tempo investido em construção coletiva, Gabriela por fim adormeceu. No dia seguinte fui acordada com um beijo demorada e com uma voz doce dizendo: Nossa arvore ficou perfeita mamãe! Apertei e dei um abraço gostoso e demorado com a certeza no coração que temos trilhado no caminho certo .E como diz as escrituras sagradas  “ E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens” Colossenses 3:23  “Assim, seja comendo, seja bebendo, seja fazendo qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31

Meus queridos Botões, Gratidão é a palavra que me define, em um ano de tantas mudanças e dificuldades que vivemos neste 2020. Sou grata pela companhia sincera, na minha solitude vocês tem sido amigos fieis e companheiros, ter alguém para conversar, compartilhar emoções e simplesmente ouvir é um privilégio. Tenho aprendido tanto com nossas conversas prolongadas, que por muitas vezes invadem a madrugada a dentro. Pensar nossa existência é fundamental para transformar nossa passagem pela vida em memórias e legados!

Texto: Ana Maria Braga Rocha

 

Comentários

  1. Bem assim... Sofri muito com as ondas fanáticas que acabaram com bons costumes que ficaram na minha memória 👏🏻👏🏻👏🏻mas louvo a Deus por não ter deixado nada abalar minha fé, que lindo Aninha, amo esse versículo em que fala pra fazermos as coisas de coração como para o Senhor! Glória a Deus pq compartilho dessa visão! Texto lindoooooo

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